- Feche os olhos, você está no melhor sitio por onde já passou, só sente alegria e paz à sua volta. Começa a ver uma luz branca ao fundo e não tenha medo... 10, 9, 8... a luz começa a aproximar-se e a ficar cada vez maior... 7, 6, 5... a mesma paz que tinha continua a aumentar à medida que a luz o envolve... 4, 3... de agora em diante só vais ouvir a minha voz... 2... se por algum motivo quiseres acordar basta abrires os olhos... 1... diz-me o que vez...
Estava na rua, o sol brilha lá no alto, era um belo fim de tarde de uma 6ª feira antes de umas merecidas férias. Enquanto caminhava o som de vários animais e crianças ia aumentando, estava quase a chegar e voltando uma esquina lá estava o meu destino o Parque da Cidade, 20 hectares de árvores, arbustos, relva e flores bem no meio da barulhenta cidade que parece realmente nunca dormir tal não é a movimentação de pessoas nos passeios e carros nas estradas.
Parei no limite do passeio pois estava sinal vermelho para os peões, começo a crescer dentro de mim uma sensação de que não conseguia conter pois faltavam alguns segundos e poucos metros de alcatrão para entrar no paraíso.
Vários guinchos de pneus ecoaram à passagem para vermelho do semáforo. Ao passar a estrada e olhei para os condutores e não pude deixar de pensar que já ouve um tempo em que era assim, stressado e sempre com pressa de chegar a qualquer lado, porque tinha de fazer qualquer coisa depressa para depois voltar ao mesmo... meu coração começou a bater mais depressa tal era a emoção, deixei o alcatrão para trás e comecei a pisar terra batida, pouco depois era envolvido por dezenas de árvores num caminho que parecia um pedacinho de céu na terra. O cheiro das árvores e das flores que no inicio se confundiam com os escapes dos carros ou com os cheiros dos restaurantes começou a ficar mais nítido e se eu entendesse de botânica de certeza que conseguiria adivinhar os seus nomes só pelo cheiro. Enquanto caminhava ia sendo engolido cada vez mais pela floresta e meu estado de calma e tranquilidade atingiram os momentos mais elevados e que não sentia à uma semana, ou melhor, desde que saíra daqui na 6ª feira passada. Os sons da natureza eram agora bem mais fortes que os da cidade e eram só o que se ouvia agora. Fui andando pelos carreiros de terra até ao meu sitio, aquele que procurava sempre que aqui vinha, um carvalho centenário rodeado de relva á sombra, neste carvalho alguém já à muitos anos tinha tido o trabalho de cravar no seu tronco uma bonita declaração de amor. Dois corações entrelaçados um no outro cada um com a inicial de cada amante, neste caso um N e um A, por debaixo uma frase «LOVE YOU FOREVER» .
Não sei porque mas era ali debaixo daquela árvore que me sentava todas as 6ªs feiras à tarde para ver o sol se pôr por entre as árvores e os prédios que se viam lá ao fundo, e hoje não excepção tinha de lá ir, por vezes tinha de esperar pois era realmente um lugar muito bonito e concorrido, hoje tinha tido sorte, não estava lá ninguém, e com a sombra desocupada descalcei-me e comecei a caminhar sobre a relva acabada de cortar. Enquanto me sentava olhei para a inscrição só para confirmar que era aquele carvalho e não outro como se alguém pudesse ter trocado a árvore só para me chatear, mas lá estavam os corações e as palavras talhadas no meio do tronco.
Por todo o lado se viam pessoas a correr ou a andar, outras passeavam seus cães, outras ainda brincavam com os seus filhos no parquinho ou simplesmente descansavam no meio da relva como eu.
Enquanto via uma jovem rapariga atrás do seu labrador a tentar tirar o disco para que pudesse atirar novamente ouvi uma frase que vinha por detrás de mim.
Isto é um assalto.
Virei-me sobressaltado pensando que era para mim mas vejo uma bela jovem sendo assaltada por um igualmente jovem rapaz. Ele de arma em punho e apontada para ela parecia nervoso, como se fosse o primeiro assalto da vida dele, ela indefesa e frágil estancada pelo medo não se mexia. Levantei-me e talvez pela “vida” que me envolvia no momento dei por mim a caminhar na direcção do delito.
O assaltante ao me ver a aproximar grita.
- Pára, fica onde estás que isto não tem nada a ver contigo. Mas ignorando tal ameaça continuei a andar.
- Eu sei que não tenho nada a ver com a situação, mas diz-me, de que necessitas tu, talvez eu possa ajudar? Que queres, dinheiro? Talvez eu tenha algo mais valioso para ti!
- Não, eu só quero o dinheiro dela, e pára já te disse!
A rapariga volta-se, pois por estar de costas para mim não se tinha apercebido da minha chegada.
- Por favor fique quieto, não quero problemas. E voltando-se para a frente começou a abrir a mala para retirar a carteira. O ladrão que desviara o olhar para mim, ao vê-la e por instinto assusta-se aponta a arma e dispara.
No momento seguinte estou a jogar-me para a frente da rapariga. Quando abri os olhos, senti uma picada no corpo que ficou quente, passou depois a um frio gélido... vejo alguém a cair sobre mim e a pôr as suas mãos no meu peito enquanto gritava por socorro. Recuperando todos os meus sentidos e olhando para quem eu acabara de salvar e que agora desesperadamente me tentava retribuir o acto.
-Olá, o meu nome é Nuno?
Ela atrapalhada, olhava-me nos olhos e tentando responder calmamente disse. – O meu é Ana, muito prazer. Aguenta que já chamaram uma ambulância.
-Quando isto passar, talvez possamos ir jantar e rir desta situação? Perguntei eu ao que ela respondeu sorrindo – Sim, pode ser.
Enquanto isso pessoas de todos os lados apreciam e rodeavam-me, ficando a olhar enquanto eu me esvaziava em sangue.
-RUI, ACORDA!!
Abro os olhos e levo as mãos ao peito, olho mas não existe sangue, olho em redor mas não existe árvores, nem crianças a brincar, nem cães, papagaios, nada, a não ser eu deitado num divã, com o meu psiquiatra a olhar para mim.
- Muito bem, esta secção foi muito produtiva, pela primeira vez foste até ao fim do sonho... ou será que não?
- Sonho, mas eu não fui hipnotizado?
- Sim, mas pelo que me descreves-te, é igual ao sonho que tens tido concorrentemente à já alguns meses.
- Mas os meus sonhos são todos diferentes, todos eles?! Não há 2 iguais!!!
- Isso é o que tu pensas, os teus sonhos são todos iguais ou parecidos. Têm todos o mesmo ritmo, os principais elementos estão lá sempre assim como acabam sempre em tragédia. A vida, o oásis de calma e de paz, um casal e algo de mal que acontece. O que me intriga é a árvore, existe sempre assim como os corações e a inscrição, apesar das letras serem diferentes.
- Pois isso não sei o que possa ser, não faço a mínima ideia!
- Bem o nosso tempo de hoje acabou, vê-mo-nos daqui a duas semanas?
- Sim, daqui a duas semanas.
- Bom fim de semana, e tente descasar está bem?
- Vou tentar, bom fim de semana? Olhos para o relógio na parede e vejo que são 17H45 do ultimo dia da semana. Saio do consultório e olhando para o céu que já vai ficando escuro, perdendo um pouco a orientação viro á direita, estranho, estranho porque o meu carro está ao fundo da rua para o lado esquerdo. Acendo um cigarro e começo a caminhar, todas o tipo de pessoas passam por mim numa correria, sempre atarefadas e querendo estar noutro lugar que não aquele onde estão.
Vou andando e virando aqui e ali, quando viro mais uma esquina e dou por mim de frente com o parque da cidade. Riu-me para dentro ao ver que mais á frente um semáforo está verde para os carros. Estou a apagar o cigarro quando oiço o chiar de pneus, olho para cima e vejo que o sinal dos peões passou a verde. Vejo as pessoas a atravessar a passadeira e dou por mim a acompanha-las em direcção ao parque. Na esquina compro um cachorro quente mais uma bebida e olhando em frente penso já não vejo um pôr do sol á muito tempo, e avanço parque adentro. Depois de andar uns minutos vejo uma sombra por debaixo de uma grande árvore. Pouco depois estou descalço e sentado debaixo de um carvalho a ver o que parece ser um bom pôr do sol. Por todo o lado estão adultos a passear animais, outros a fazer ginástica ou a correr, crianças a brincar, e vou-me sentindo cada vez mais nervoso. Volto-me para ver a árvore e vejo nela talhado dois corações entrelaçados com as letras R e V, e por baixo a inscrição «Love you forever».
- NÃO!!! (bang)
Ouço o disparo, olho e vejo alguém a correr mas fixo a rapariga que cai. Levanto-me e gritando por socorro vou ao seu encontro, sento-me e ponho as minhas mãos em cima da ferida fazendo pressão para tentar estancar o sangue, ao mesmo tempo grito a alguém que vem ao nosso encontro para telefonar ao 112.
Quando olho para ela, está a sorrir para mim e diz-me. – Olá sou a Violeta.
- Eu sou o Rui. Respondo tentando manter a calma, se bem que cada segundo que passa menos calmo me encontro.
- Tenho frio. Mas as suas palavras quase não se ouvem, dispo o meu casaco e ponho-o sobre ela. Ao longe os paramédicos correm no seu auxilio e olhando-a nos olhos digo.
- A ajuda já vem a caminho, vais ficar boa num instante. E lembrando todo o meu episódio no consultório acrescento. – Talvez um dia possamos ir jantar e rir deste dia?
- Era bom. E foram estas as suas ultimas palavras. Quando a ajuda chegou já mais nada podia ser feito.
- JOÃO, acorda!
- Hã, onde estou?!
- Calma sou eu, você está bem, não se levante ainda... este seu regresso foi muito bom... você sabe onde está, não?
- Sim, sei, mas só me lembro do parque, do pôr do sol e de sangue. Sim, a Violeta estava coberta de sangue. Doutor, acha que isto aconteceu mesmo? Será isto uma parte do meu passado que desconheço?
- Isso são perguntas difíceis de responder. O cérebro é muito complicado e pode estar realmente a recordar eventos passados, como pode estar a ter “alucinações” ou invenções sobre um qualquer desejo...
- Desejo, acha que eu desejo a morte de alguém ou que tenho algum tipo de fetiche sobre sangue, é que é sempre a mesma coisa, um homem, uma mulher mais um acidente que acaba sempre com a morte de um ou de outro...
- Não é isso que eu quero disser. Os seus sonhos assim como as suas regressões podem efectivamente ser eventos passados, mas nunca poderemos ter cem por cento de certeza, a não ser que seja algum evento que esteja documentado. Enquanto nós conversamos eu tento perceber como é que o seu cérebro funciona, tento decifrar se você está a sonhar ou a relatar uma situação passada ou ainda se está só a imaginar. Mas por hoje já chega, já passamos do tempo.
- Pois já. Digo ao olhar para o relógio.
- E não se esqueça, hoje é sexta feira e tem o seu passeio ao parque para ver o pôr do sol.
Estava na rua, o sol brilha lá no alto, era um belo fim de tarde de uma 6ª feira antes de umas merecidas férias. Enquanto caminhava o som de vários animais e crianças ia aumentando, estava quase a chegar e voltando uma esquina lá estava o meu destino o Parque da Cidade, 20 hectares de árvores, arbustos, relva e flores bem no meio da barulhenta cidade que parece realmente nunca dormir tal não é a movimentação de pessoas nos passeios e carros nas estradas.
Parei no limite do passeio pois estava sinal vermelho para os peões, começo a crescer dentro de mim uma sensação de que não conseguia conter pois faltavam alguns segundos e poucos metros de alcatrão para entrar no paraíso.
Vários guinchos de pneus ecoaram à passagem para vermelho do semáforo. Ao passar a estrada e olhei para os condutores e não pude deixar de pensar que já ouve um tempo em que era assim, stressado e sempre com pressa de chegar a qualquer lado, porque tinha de fazer qualquer coisa depressa para depois voltar ao mesmo... meu coração começou a bater mais depressa tal era a emoção, deixei o alcatrão para trás e comecei a pisar terra batida, pouco depois era envolvido por dezenas de árvores num caminho que parecia um pedacinho de céu na terra. O cheiro das árvores e das flores que no inicio se confundiam com os escapes dos carros ou com os cheiros dos restaurantes começou a ficar mais nítido e se eu entendesse de botânica de certeza que conseguiria adivinhar os seus nomes só pelo cheiro. Enquanto caminhava ia sendo engolido cada vez mais pela floresta e meu estado de calma e tranquilidade atingiram os momentos mais elevados e que não sentia à uma semana, ou melhor, desde que saíra daqui na 6ª feira passada. Os sons da natureza eram agora bem mais fortes que os da cidade e eram só o que se ouvia agora. Fui andando pelos carreiros de terra até ao meu sitio, aquele que procurava sempre que aqui vinha, um carvalho centenário rodeado de relva á sombra, neste carvalho alguém já à muitos anos tinha tido o trabalho de cravar no seu tronco uma bonita declaração de amor. Dois corações entrelaçados um no outro cada um com a inicial de cada amante, neste caso um N e um A, por debaixo uma frase «LOVE YOU FOREVER» .
Não sei porque mas era ali debaixo daquela árvore que me sentava todas as 6ªs feiras à tarde para ver o sol se pôr por entre as árvores e os prédios que se viam lá ao fundo, e hoje não excepção tinha de lá ir, por vezes tinha de esperar pois era realmente um lugar muito bonito e concorrido, hoje tinha tido sorte, não estava lá ninguém, e com a sombra desocupada descalcei-me e comecei a caminhar sobre a relva acabada de cortar. Enquanto me sentava olhei para a inscrição só para confirmar que era aquele carvalho e não outro como se alguém pudesse ter trocado a árvore só para me chatear, mas lá estavam os corações e as palavras talhadas no meio do tronco.
Por todo o lado se viam pessoas a correr ou a andar, outras passeavam seus cães, outras ainda brincavam com os seus filhos no parquinho ou simplesmente descansavam no meio da relva como eu.
Enquanto via uma jovem rapariga atrás do seu labrador a tentar tirar o disco para que pudesse atirar novamente ouvi uma frase que vinha por detrás de mim.
Isto é um assalto.
Virei-me sobressaltado pensando que era para mim mas vejo uma bela jovem sendo assaltada por um igualmente jovem rapaz. Ele de arma em punho e apontada para ela parecia nervoso, como se fosse o primeiro assalto da vida dele, ela indefesa e frágil estancada pelo medo não se mexia. Levantei-me e talvez pela “vida” que me envolvia no momento dei por mim a caminhar na direcção do delito.
O assaltante ao me ver a aproximar grita.
- Pára, fica onde estás que isto não tem nada a ver contigo. Mas ignorando tal ameaça continuei a andar.
- Eu sei que não tenho nada a ver com a situação, mas diz-me, de que necessitas tu, talvez eu possa ajudar? Que queres, dinheiro? Talvez eu tenha algo mais valioso para ti!
- Não, eu só quero o dinheiro dela, e pára já te disse!
A rapariga volta-se, pois por estar de costas para mim não se tinha apercebido da minha chegada.
- Por favor fique quieto, não quero problemas. E voltando-se para a frente começou a abrir a mala para retirar a carteira. O ladrão que desviara o olhar para mim, ao vê-la e por instinto assusta-se aponta a arma e dispara.
No momento seguinte estou a jogar-me para a frente da rapariga. Quando abri os olhos, senti uma picada no corpo que ficou quente, passou depois a um frio gélido... vejo alguém a cair sobre mim e a pôr as suas mãos no meu peito enquanto gritava por socorro. Recuperando todos os meus sentidos e olhando para quem eu acabara de salvar e que agora desesperadamente me tentava retribuir o acto.
-Olá, o meu nome é Nuno?
Ela atrapalhada, olhava-me nos olhos e tentando responder calmamente disse. – O meu é Ana, muito prazer. Aguenta que já chamaram uma ambulância.
-Quando isto passar, talvez possamos ir jantar e rir desta situação? Perguntei eu ao que ela respondeu sorrindo – Sim, pode ser.
Enquanto isso pessoas de todos os lados apreciam e rodeavam-me, ficando a olhar enquanto eu me esvaziava em sangue.
-RUI, ACORDA!!
Abro os olhos e levo as mãos ao peito, olho mas não existe sangue, olho em redor mas não existe árvores, nem crianças a brincar, nem cães, papagaios, nada, a não ser eu deitado num divã, com o meu psiquiatra a olhar para mim.
- Muito bem, esta secção foi muito produtiva, pela primeira vez foste até ao fim do sonho... ou será que não?
- Sonho, mas eu não fui hipnotizado?
- Sim, mas pelo que me descreves-te, é igual ao sonho que tens tido concorrentemente à já alguns meses.
- Mas os meus sonhos são todos diferentes, todos eles?! Não há 2 iguais!!!
- Isso é o que tu pensas, os teus sonhos são todos iguais ou parecidos. Têm todos o mesmo ritmo, os principais elementos estão lá sempre assim como acabam sempre em tragédia. A vida, o oásis de calma e de paz, um casal e algo de mal que acontece. O que me intriga é a árvore, existe sempre assim como os corações e a inscrição, apesar das letras serem diferentes.
- Pois isso não sei o que possa ser, não faço a mínima ideia!
- Bem o nosso tempo de hoje acabou, vê-mo-nos daqui a duas semanas?
- Sim, daqui a duas semanas.
- Bom fim de semana, e tente descasar está bem?
- Vou tentar, bom fim de semana? Olhos para o relógio na parede e vejo que são 17H45 do ultimo dia da semana. Saio do consultório e olhando para o céu que já vai ficando escuro, perdendo um pouco a orientação viro á direita, estranho, estranho porque o meu carro está ao fundo da rua para o lado esquerdo. Acendo um cigarro e começo a caminhar, todas o tipo de pessoas passam por mim numa correria, sempre atarefadas e querendo estar noutro lugar que não aquele onde estão.
Vou andando e virando aqui e ali, quando viro mais uma esquina e dou por mim de frente com o parque da cidade. Riu-me para dentro ao ver que mais á frente um semáforo está verde para os carros. Estou a apagar o cigarro quando oiço o chiar de pneus, olho para cima e vejo que o sinal dos peões passou a verde. Vejo as pessoas a atravessar a passadeira e dou por mim a acompanha-las em direcção ao parque. Na esquina compro um cachorro quente mais uma bebida e olhando em frente penso já não vejo um pôr do sol á muito tempo, e avanço parque adentro. Depois de andar uns minutos vejo uma sombra por debaixo de uma grande árvore. Pouco depois estou descalço e sentado debaixo de um carvalho a ver o que parece ser um bom pôr do sol. Por todo o lado estão adultos a passear animais, outros a fazer ginástica ou a correr, crianças a brincar, e vou-me sentindo cada vez mais nervoso. Volto-me para ver a árvore e vejo nela talhado dois corações entrelaçados com as letras R e V, e por baixo a inscrição «Love you forever».
- NÃO!!! (bang)
Ouço o disparo, olho e vejo alguém a correr mas fixo a rapariga que cai. Levanto-me e gritando por socorro vou ao seu encontro, sento-me e ponho as minhas mãos em cima da ferida fazendo pressão para tentar estancar o sangue, ao mesmo tempo grito a alguém que vem ao nosso encontro para telefonar ao 112.
Quando olho para ela, está a sorrir para mim e diz-me. – Olá sou a Violeta.
- Eu sou o Rui. Respondo tentando manter a calma, se bem que cada segundo que passa menos calmo me encontro.
- Tenho frio. Mas as suas palavras quase não se ouvem, dispo o meu casaco e ponho-o sobre ela. Ao longe os paramédicos correm no seu auxilio e olhando-a nos olhos digo.
- A ajuda já vem a caminho, vais ficar boa num instante. E lembrando todo o meu episódio no consultório acrescento. – Talvez um dia possamos ir jantar e rir deste dia?
- Era bom. E foram estas as suas ultimas palavras. Quando a ajuda chegou já mais nada podia ser feito.
- JOÃO, acorda!
- Hã, onde estou?!
- Calma sou eu, você está bem, não se levante ainda... este seu regresso foi muito bom... você sabe onde está, não?
- Sim, sei, mas só me lembro do parque, do pôr do sol e de sangue. Sim, a Violeta estava coberta de sangue. Doutor, acha que isto aconteceu mesmo? Será isto uma parte do meu passado que desconheço?
- Isso são perguntas difíceis de responder. O cérebro é muito complicado e pode estar realmente a recordar eventos passados, como pode estar a ter “alucinações” ou invenções sobre um qualquer desejo...
- Desejo, acha que eu desejo a morte de alguém ou que tenho algum tipo de fetiche sobre sangue, é que é sempre a mesma coisa, um homem, uma mulher mais um acidente que acaba sempre com a morte de um ou de outro...
- Não é isso que eu quero disser. Os seus sonhos assim como as suas regressões podem efectivamente ser eventos passados, mas nunca poderemos ter cem por cento de certeza, a não ser que seja algum evento que esteja documentado. Enquanto nós conversamos eu tento perceber como é que o seu cérebro funciona, tento decifrar se você está a sonhar ou a relatar uma situação passada ou ainda se está só a imaginar. Mas por hoje já chega, já passamos do tempo.
- Pois já. Digo ao olhar para o relógio.
- E não se esqueça, hoje é sexta feira e tem o seu passeio ao parque para ver o pôr do sol.
escrito sem revisão tal e qual como está no papel...
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